19/11/2009

.: Das confissões


Umas das paixões que tive na vida acabou apenas em um beijo roubado.
A culpa foi minha e da minha "não palavra" e uma palavra muda o rumo, vira o leme, arruma a vida.
O fato é que eu tinha meus 15, 16 anos e era a famosa tabacuda (como é comigo mesma, não é esculhambação e sim auto-avaliação).
Comecei a notar um carinho especial de um de meus amigos, lembro até do dia em que eu estava com febre e ele me abraçou dizendo que estava fazendo isso pra minha febre passar pra ele e assim eu ficaria boa.
Eita que essas coisas do amor são lindinhas demais ... suspiros ...

O meu problema era que todas as mulheres da escola estavam a fim dele, o cara era lindo mesmo e sei lá ... acho que isso me deixou meio cega.
Ele corria pra me abraçar quando me via chegar.
Ele marcava coisas com a minha turma só pra me ver.
Ele me acompanhava em muitas de minhas saídas.
Ele só sentava do meu lado.
Ele faltava aula pra ficar comigo quando eu estava livre.
E eu nunca vou esquecer que um dia ele estava passando as férias numa praia em Natal e simplesmente disse para os pais que passaria o dia fora, pegou um busão e veio bater na minha casa em Recife.
Lembro de quando ele chegou.
Lembro de que sentei em seu colo no jardim da casa de meus pais.
Lembro que ficamos rindo da presepada que ele havia aprontado.
E lembro que em algum momento eu deixei que ele me roubasse um beijo e só.
Naquele dia ele me falou que havia atravessado o mundo (e de busão) só pra estar comigo.
E sei que ele voltou com um vazio tremendo pra casa porque teve de mim menos do que merecia.
Sobretudo porque eu gostava desse menino, rapaz, mas não consegui nem falar nem mostrar absolutamente nada desse afeto.

Medo.
Medo do outro saber que a gente gosta, que a gente sente falta, que a gente tá abestalhado geral.
Ou, em outras palavras, medo de ser feliz.
Nunca tive nada com ele além disso.
Sei que o magoei profundamente, sem querer, mas magoei.
Me magoei também porque me senti altamente boba (e fui mesmo).
E se eu pudesse voltar no tempo, eu diria a ele que ele fez a coisa mais louca, mais linda e mais importante que alguém poderia fazer por quem gosta: ele foi ele mesmo, muito mais que pele, ele foi alma, uma alma apaixonada.

Eu nunca esqueci aquele beijo roubado, obviamente não gosto mais dele, mas ainda amo a atitude daquele menino.
Ainda amo lembrar da viagem que ele fez por mim.
Amo lembrar da gente no jardim sorrindo, brincando.
Naquele dia ele teve de mim menos do que merecia.
Eu fui menos do que estava sentindo e talvez por isso a vida tenha se encarregado de marcar essa lembrança mais fortemente aqui no meu coração.
É como um castigo (dos bons) dados por Deus pra gente tentar se emendar.
"Marcela, tu fez pouco demais, por isso agora tu vai lembrar que poderia ter feito mais pelo resto da vida."

16 anos depois eu ainda sou capaz de ceder apenas um beijo roubado a quem merece minha alma.
Porque - no fundo - eu ainda tenho medo.
E porque - no fundo - eu ainda tenho muito a aprender com esse menino que vive o que sente e que me faz até hoje querer ser uma mulher melhor, todos os dias.
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13/11/2009

.: Dos desabafos


São 4 dias sem dormir.
São lágrimas.
É a sensação triste de não reconhecer as pessoas.
Isso acontece quando as palavras caminham para um lado, as atitudes para o outro.
E da terra de onde eu vim essas coisas não se separam.
Porque lá pra ser feliz a gente precisa antes fazer feliz quem tá do nosso lado.

"Por toda a terra que passo
Me espanta tudo que vejo
A morte tece seu fio
De vida feita ao avesso."
(Trecho de Desenredo de Boca Livre)
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10/11/2009

.: Do que a gente deve adotar nessa vida

Hoje Zetta voltou ao veterinário para tomar a 2ª dose de uma vacina e para dar uma geral naquela lapa de orelha que todo beagle tem.
Há 15 dias elas teve que ser levada às pressas para a clínica porque estava chorando com dor no ouvido (resultado das farras made in Serrambi).
Uma das etapas da visita de hoje incluía um belo banho e a limpeza das orelhonas.
Quando entrei na parte do canil vi logo uma cachorrinha marron, pequena, vira latinha.
Muito me chamou atenção o olhar e a expressão dessa menina, a coisa mais linda do mundo.
Perguntei quem era ela, no que o o rapaz do banho me respondeu que ela era uma cadelinha que havia sido atropelada e socorrida pelo motorista.
Nessas horas acredito, de verdade, que nesse mundo ainda tem muita, mas muita coisa boa.
A grande questão é que após todos os cuidados, ele não teve como ficar com a cadelinha e a abandonou lá no veterinário.
Notei que ela ficava deitada, balançava o rabo quando eu olhava pra ela, me olhava de uma forma intensa, não pude me conter e fiquei o tempo todo do lado dela, fazendo carinho.
O rapaz do banho me explicou que ela tinha sofrido um trauma na coluna, estava sem andar, mas há uns dias começou a levantar e conseguia dar alguns passos, mesmo tremendo.
Fiquei ali sentada do lado dela pensando quem poderia querer ficar com ela, pois, apesar de linda, ela ainda apresentava sequelas.
Eu queria.
Queria, mas não posso.
Moro em apartamento e vivo alugando meus pais quando viajo, não seria justo pegar mais um bichinho para "empurrar" para os outros.
Minha responsabilidade é evidente nesses casos, mas o sentimento não, ele caminha só e me fez chorar ali mesmo, do lado dela, sem nem pensar em quem estava olhando.
Quando o banho de Zetta acabou ela foi fazer presepada no chão e veio para o meu lado, chegou devagar junto da cadelinha, rolou aquele cheira cheira típico cachorral.
Eu levantei, fiquei do lado de Zetta e vi quando a cadelinha marron se levantou fazendo o maior esforço e deu alguns passos para ficar do lado de Zetta.
Meu amor por bichos é maluco, sem freio, incondicional e explico: alguns bichos são muito melhores que muita gente que conheço.
E eu, que acredito em Deus, vejo uma cena dessas como ele a me lembrar das coisas mágicas, lindas e importantes que às vezes não acreditamos mais existir nesse mundo.
Voltei pra casa e ainda derrubei algumas lágrimas.
Sei que ela só sairá da clínica quando tiver um dono, as pessoas de lá são muito sérias e comprometidas, isso me alivia a alma.
Mesmo assim eu tô aqui fazendo a minha parte e avisando que quem quiser adotar um bichinho pra lá de especial, me passe um e.mail (marcela.at@hotmail.com).
Hoje, encontrar com essa menina marron fez diferença no meu dia.
É como um recado pra algumas coisas que tenho passado, sabe?
Acho que trata-se de não desistir.
Não desistir de ser feliz, de levantar, de caminhar.
Às vezes isso nasce de uma simples tentativa.
E eu peço então a esse Deus que me faça nunca desistir de tentar e que eu me inspire para sempre nessa cadelinha marron que se ergue trêmula, mas levanta e nos mostra um milagre.

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08/11/2009

.: O terraço de Serrambi


Nos juntamos ali para viver os finais de semana em família e voltamos com uma sensação boa, típica de gente que se ama de verdade.

Os casos de nossas vidas são contados em sorrisos, em gargalhadas, em lágrimas. Lembramos de capítulos desconcertantes. Contamos fofocas uns dos outros.

É só um terraço. São apenas cadeiras, redes e uma lâmpada a iluminar a noite que cai. Somos só nós, dançando como se ninguém estivesse nos olhando, sentindo o gosto da liberdade de poder ser exatamente o que a gente é.

Simplesmente.

Ps. OBRIGADA de CORAÇÃO a todos os desejos bons que vcs me mandaram pelo meu aniversário!
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17/10/2009

.: Das comemorações à distância

Exatamente a próxima semana é semana de viagem.
E exatamente também na próxima semana, mais precisamente na terça, dia 20, é meu aniversário.
Agora misturem as 2 frases acima que vocês vão chegar a uma conta que vai me separar 229km das pessoas que amo, justamente no dia em que queria estar mais perto delas.
É a vida?
É a vida ...

Depois que a gente cresce, as escolhas parecem deixar mais coisas pra trás.
Antes era tudo bem simples: quero, não quero, não penso muito, vou e faço.
Conseqüência? O que é isso?
Hoje não, hoje a gente participa de projetos, cumpre prazos, tem hora pra acordar (mas não pra dormir), a gente tem agenda lotada, muita gente depende da gente.
Por isso meu “não” sonhado, virou um “sim” real e o que eu deixo pra trás na verdade nem deixo, porque vai todo mundo estar aqui quando eu voltar pra gente tomar todas e comemorar.
Aliás, farei várias comemorações porque tenho amigos de todas a tribos (obrigada, Deus) e também porque adoro uma cachaça, aí quanto mais melhor.

Sei que dia 20 meu coração vai ficar apertado.
Mas sei também que fiz a coisa certa.
Aliás, tenho feito a coisa certa muitas vezes e há anos.
Isso me dá uma sensação muito boa de que tenho aprendido com a vida, com o passar dos anos.
E tenho feito isso com o coração aberto. Leve. Sorrindo.
Dia 20 estarei só, mas não solitária.
É que 229 km é muito chão, mas não o suficiente pra afastar corações que se amam. Nunca.

" Era feito aquela gente Honesta, Boa e Comovida.
Que tem no fim da tarde a sensação da missão cumprida."
(Toquinho em Pequeno perfil de um cidadão comum)

Ps. Quem tentar me ligar e não conseguir, tente de 12h e de noite! Em treinamento eu não atendo celular!!! (ainda mais isso, ó vida, ó céus!!)

15/10/2009

.: Esse tal do "seguir em frente"


Quem inventou essa necessidade de seguir em frente, não tinha limites.
Tinha medo, mas não inventava paredes altas demais a sua frente.
Certamente um dia saiu da inércia e deu o primeiro passo.
E isso às vezes basta porque o tal do seguir em frente vicia.
Ali a gente ousa, prova, conhece, tenta, inventa.
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Quem inventou essa necessidade de seguir em frente, queria ser feliz.
Olhou pros lados e não se encontrou onde hoje cabia.
Teve coragem e seguiu.
Com a força dos sonhos e do amor pela vida.

06/10/2009

.: Dos últimos adoecimentos


Há 2 dias estou de cama.
Febre e garganta doendo [ mode on ].
O que mais me tira do sério nesse caso é a impotência.
É a sensação de fragilidade.
É a certeza de que sem saúde TUDO fica parado.
Nada tem graça.
Nada tem cor.
Até que você acorda melhor e ver valor num simples levantar bem.
O que, cá pra nós, não deveria depender de doença para ser importante.